À mesa por Esteves

Tem sido forte o assédio ao dianteiro dos negros, Esteves Stevens. Vasco Pereira, o também empresário de todos os jogadores africanos, tem conduzido um vasto processo que se desdobra entre intensas negociações e nas pretensões entre todas as partes. Quer o empresário quer o jogador têm vindo constantemente a declinar os pedidos de declarações envidados pelos inúmeros jornalistas que seguem o caso avidamente no intento de garantir notícias de impacto ribombante num público sequioso por determinar o desenlace de uma potencial transferência, que a acontecer seria a mais mediática de sempre e de consequências estrondosas no mercado, quer para o vendedor quer para o aquisidor.

A transacção não se tem afigurado fácil já que todas as propostas têm esbarrado nos propósitos dos Africans F.T. aos quais lhes custa abrir mão do seu atleta mais virtuoso por uma quantia aquém do que se considera o seu real valor.

Nesta louca corrida aos direitos desportivos de Esteves, a Juventus de Turim parece estar na pole-position, tendo-se adiantado aos restantes concorrentes, segundo consta nas fotos divulgadas na imprensa de ontem e no sítio oficial do jogador, na presença de um director da Juventus que foi “buscar” Esteves ao Algarve onde gozava umas credoras férias com a família.

Pelo que tem sido apurado, os financiadores da operação têm jogado com o interesse do atleta que há algum tempo vem expressando a sua vontade de rumar ao estrangeiro, assegurando as suas prestações e emprestando todo o seu talento num campeonato mais competitivo, um comportamento que não tem facilitado as negociações, como alega Vasco Pereira num raro momento de abertura, por “falta de cavalheirismo e conluio intoleráveis”.

Porém, a indefinição do negócio não se fica por aqui, sendo que há pormenores democráticos como o asserto do salário do atleta, a forma de pagamento, o remunerador do bilhete de avião e também os parâmetros da cedência: por empréstimo ou definitivo?

Nesta teia complexa de negociações não tem faltado também conselhos e opiniões de várias personalidades, que ora aconselham à emigração, ora opinam à consistência no clube actual.

Alguns meios de comunicação já anunciam mesmo a colocação dos Africans no mercado para substituir uma eventual troca de Esteves para a Juventus, não tendo sido, contudo, apontado nenhum nome.

O certo é que os contactos decorrem e, ao que tudo indica, será a Juventus a alcançar a quimera, fruindo assim dos dotes técnicos deste miúdo oriundo das areias do Saara, de onde nunca terá por certo pensado que a técnica adquirida na areia o levasse à cobiça dos emblemas mais fortes da Europa e do mundo.

De entre a Europa e o mundo, o rumo deverá ser, então, Itália e entre depoimentos contraditórios, Joseph Blatter, o presidente da FIFA, lá vai afiançando que “quando proferia um apelo contra a escravatura, delegava –o ao caso Esteves e não ao caso Cristiano Ronaldo “como se podia pensar…”

Todavia, sem nunca alegar escravidão, Esteves lá deixou escapar sentir-se “orgulhoso” por se falar nele pois reflecte a “qualidade” do seu labor, “mas de momento” é “jogador dos Africans”, não confirmando nem desmentindo uma trasladação que se adivinha…

Texto por: Lobo

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