Duelo de continentes acaba em goleada
Desalento. Ainda no rescaldo dos festejos da vitória no primeiro jogo da competição, os Africans foram surpreendidos com a antecipação do jogo frente ao Spartak para hoje, às 16 horas. A moral em alta não bastou para derrotar a equipa de leste, que apresentou um futebol frio e eficaz, marcando uma tuada forte ao longo de toda a partida. Fazendo jus ao temporal que se fez sentir na região minhota ao longo do dia, foi debaixo de uma intensa chuva de golos que os africanos desceram à Terra.
Pela primeira vez na sua curta carreira, os Africans sentiram o sabor da derrota. Aliás, o vexame foi de dimensão tal que quase demos a entender que isto tudo fez parte de um plano premeditado para nos retirar a pressão dos ombros. Esmolas a pobres, dirão uns. O certo é que o favoritismo é um fardo muito pesado de suportar, e poderia ser fatal para as nossas aspirações. “Reparamos que eles estavam muito magrinhos e pequeninos, por isso decidimos dar-lhes uma alegria para ver se começam a comer a sopa toda”, comentou Vasco Pereira, Relações Públicas da equipa africana e mentor desta estratégia, no final do encontro.
No balneário, o ambiente era de entrega total ao jogo. No entanto, a atitude durante a partida foi digna de uma marcha fúnebre. Hoje, seríamos vencidos ao sprint por qualquer procissão paralímpica. Foi um mau dia. Há que atender, naturalmente, às condicionantes do jogo: desfalcados pelo nosso líder, o guarda-redes titular Nuno Lobo, e reduzidos a seis elementos disponíveis, não iria ser tarefa fácil defrontar uma equipa que, à partida, nos era desconhecida.
Na baliza apresentou-se Paulo, um jovem extremamente atraente e musculado, que apesar disso não tem qualquer talento para guarda-redes. Dennis substituiu-o na segunda parte, e foi incapaz de fazer melhor. O resultado - uns expressivos 12-3 - está à vista. Miguel Machado voltou a apontar dois tentos, e Topi aproveitou para fazer o gosto ao pé pela primeira vez na competição. De falhanços clamorosos a erros de marcação, passando por uma lastimável atitude, hoje nada foi bom. Como diria o sábio e eloquente Petit: ‘há que alevantar a cabeça e pensar no próximo jogo para dar alegrias aos adeptos e à massa associativa em geral’.
Não poderia faltar um suado e sentido agradecimento à massa adepta que esteve presente na Nave da Universidade do Minho – está bem assim, Dr. Hugo? – e que, apesar do deplorável espectáculo, aguentou firme até ao final do encontro. Quiçá seduzidas pelo anúncio feito, ontem, neste mesmo blogue, as adeptas apareceram aos magotes para ver a Africans Team jogar – Isaac retribuiu o gesto e, no final, arremessou a sua camisola para as bancadas. Para além de demonstrar que precisa de ir à depilação, o número 8 africano demonstrou ainda o quão idiota é, ao ponto de oferecer um equipamento que não foi nada barato, quando ainda nos faltam disputar 5 jogos. Questionado sobre este acto reflectido, Isaac ironizou: “Não faz mal, eu tenho bolsa”.
Texto por: Paulo Paulos
